Vila principal de Valdeorras, no vale do Sil (Ourense), território dos antigos gigurros com mineração romana do ouro. O núcleo nasceu junto à barca que atravessava o rio em direção a Viloira e foi ganhando peso face à vizinha vila do Castro, antiga cabeça jurisdicional.
vinha dominante na comarca já no século XVIII (texto de 1770); filoxera 1885 e replantação com José Núñez (1858-1932); priorado de Xagoaza séculos XII-XIIIDon Pepito de Viloira, o médico que curou as vinhas
Em finais do século XVIII um ilustrado escreveu que Valdeorras vivia 'com mais fome do que sede': a vinha, pela qualidade do seu vinho, tinha ido roubando terra ao cereal. Em 1885 a filoxera desceu pelo Bibei e arrasou o vale. Apareceu então José Núñez Núñez, médico nascido em Viloira (O Barco) em 1858, licenciado em Madrid em 1882, a quem os vizinhos chamavam don Pepito de Viloira. Viajou até Logroño para estudar os remédios que se ensaiavam na Europa e, com outros pioneiros da comarca, enxertou as castas locais sobre porta-enxertos americanos nas suas propriedades de Viloira, antecipando em décadas a recuperação da vinha galega. Republicano convicto, recusou a Ordem de Isabel a Católica. Perto, em Xagoaza, o antigo priorado templário dos séculos XII-XIII guarda hoje uma adega de godello.
Vive hoje: O Barco é a capital da comarca da DO Valdeorras, criada em 1945 e hoje célebre pela recuperação do godello iniciada em 1974. No antigo mosteiro de Xagoaza trabalha Bodegas Godeval desde 1986, e na vila continua ativa a antiga cooperativa Jesús Nazareno, hoje Vinos Barco.